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PEDRO TEIXEIRA

O CONQUISTADOR DA AMAZÔNIA

 I

OUSADIAS DE PEDRO TEIXEIRA  

1.      Pedro Teixeira teve a sua vida inscrita, para sempre, no rol restrito dos grandes conquistadores da história humana e tem lugar privilegiado entre os maiores heróis  nacionais.
         O nome de Pedro Teixeira está para sempre inscrito, nos anais  da História da Grande Amazônia e do Brasil.

2.        O maior feito de sua vida foi a conquista da Amazônia para a Coroa portuguesa, ainda durante a União da Coroa Portuguesa à Espanhola, num ato que denotava rebeldia ao domínio espanhol, deixando perplexo o Governo de Quito, no atual Equador.
        O Governo do Pará organizou esta grande expedição, com  contribuições do povo e do próprio Pedro Teixeira, sem pedir auxílio, nem licença ou comunicar à Espanha, como é lógico. 
        
Era uma clara declaração de liberdade e independência do Reino de Portugal, frente à Espanha.
         Pedro Teixeira seguiu a mesma rebeldia , em favor da Restauração da Independência de Portugal, tal qual fizeram os Bandeirantes de São Paulo e da Bahia. Teixeira  podia ter dito a célebre frase de Raposo Tavares aos jesuítas do Sul: “Saiam daqui. Esta terra é nossa; é do rei de Portugal” Em Tupi: “Coivê ore retama”. [Esta Terra é nossa]
        
Os bandeirantes nunca se conformaram com a união das coroas, deixando claro que atuavam pela Coroa Portuguesa. Ponto.

3.        Pedro Teixeira, na viagem de volta, fez um ato simbólico de posse semelhante ao de Raposo Tavares, ao fundar, no Rio Napo, abaixo da foz do rio Aguarico, uma povoação com o nome de Franciscana, fincando aí um marco divisório, servindo de baliza aos domínios das Coroas de Castela e de Portugal. No cerimonial da fundação e demarcação de limites e fronteiras, declara o escrivão, formalmente:

“Eu, escrivão, tomei estas terras nas mãos e as dei nas mãos do Capitão-Mor (Pedro Teixeira)(...) investido da dita posse, pela Coroa de Portugal, no dito sítio e mais terras, rios, navegação e comércio (...) Se houver entre os presentes, alguém que contradiga ou embargue este ato, que o escrivão da expedição o registre”

 

         4.        Este ato, como a própria viagem, é mais uma clara manifestação do espírito de luta pela Restauração da Independência de Portugal, que a Espanha tanto temia.
            Todos os envolvidos nestes atrevimentos de conquista tiveram contas a prestar ao Rei da Espanha. O Governador Geral do Maranhão e Grão-Pará, autor moral destes feitos,  Jácomo Raimundo de Noronha, foi destituído do cargo e chamado à Espanha.
           O que salvou Pedro Teixeira foi que o governo precisava dele para enfrentar os holandeses que, com grandes forças, vinham tentando reconquistar o Norte e Nordeste do Brasil.
          Teixeira foi salvo pelo gongo, da punições da Espanha, pelo fato auspicioso da efetivação da Restauração de Portugal, separando-se da Espanha, em 1º de Dezembro  de 1640, após 60 anos de dominação.

Os portugueses salvam a pátria do pesadíssimo e intolerável jugo Castelhano” como diz Antônio L. M. Baena, em Compêndio das Eras do Pará, no tempo do Império.

 

II

PERFIL SUMÁRIO DE PEDRO TEIXEIRA

5.      Mas, afinal, quem foi Pedro Teixeira    e o que mais fez além de sua Obra Magna,

A Conquista da Amazônia?
         Como foi a conquista da Amazônia?

Damos em seguida a resposta a estas duas questões e a outras.

 6.        Pedro Teixeira nasceu na Vila de Cantanhede, a 20 Km a Nordeste de Coimbra, Portugal, em 1587. Veio para o Brasil em 1607. De sua família sabe-se pouco.
            Foi casado com Ana da Cunha, açoreana. Sabe-se que era de físico e temperamento muito forte, talhado para a vida agreste. Sua atuação dá testemunho desta condição física e psíquica do homem.
            Pedro Teixeira comandou diversas Batalhas Navais contra os invasores estrangeiros  da Amazônia:

·        Em 1616, como alferes, Pedro Teixeira acompanhou a expedição de Caldeira Castelo Branco para fundar o Pará. Levantaram o Forte do Presépio para a defesa, que deu origem  à vila e depois cidade de Belém. Em 12.01.1616 é fundada a Igreja de N. S. de Belém.

·        Ainda em 1616, atacou e se apoderou de uma nau holandesa, destruiu-a e levou os canhões para o Pará.

·        Em 1616 com seus homens, faz a 1ª Viagem por terra de Belém a São Luis do Maranhão, em dois meses. Viagem muito penosa mas teve sucesso.

·        Em 1625 derrota e expulsa os holandeses do seu Forte no Xingu. Expulsa também os ingleses da margem esquerda do Amazonas.

·        Em 1626 sobe o rio Amazonas e o Tapajós, e faz um bom relacionamento com os índios.

·        Em 1629, com Pedro Favela, toma o Forte Torrega, no Amazonas, onde estavam aquartelados 2.000 homens. Vence os ingleses, escoceses e irlandeses que o defendiam (24.10).

·        Em 1631, com expedição comandada por Jácomo Raimundo de Noronha, ataca o novo forte em que estavam os ingleses, na outra margem do Amazonas. Destrói o forte e os ingleses são trazidos prisioneiros a Belém.

·        Em 1637, parte com destino a Quito, no então vice-reino do Peru, atual Equador. Percorreu o Amazonas, do Atlântico até às suas nascentes pelo Rio Napo. Voltou pelo mesmo caminho, fazendo a viagem de ida e volta: subida e descida.(Outubro de 1637 a Dezembro de 1639)

·        Em 1640, Pedro Teixeira foi nomeado Capitão-Mor e Governador da capitania do Pará.

·        Assume aos 22 de fevereiro. Governa até maio de 1641. Pretendia ir a Portugal, prestar contas ao rei, de seus feitos, mas não pode seguir viagem por motivos de saúde.

·        Morre em Belém, no dia 06.06.1641. Está enterrado na Catedral de Belém do Pará.

 

III

A CONQUISTA DA AMAZÔNIA

 

         1.      O maior feito da vida de Pedro Teixeira foi a grande Expedição pelo Rio Amazonas, da barra, no Atlântico, até as nascentes pelo Rio Napo, seguindo até Quito, no atual Equador. Ida e volta:

Saída de Gurupá/Cametá: 28.10.1637. Chegada a Quito: 09.1638.

Saída de Quito: 16.02.1639. Chegada a Belém: 12.12.1639.

A Expedição foi organizada por ordem do Governador da Capitania do Pará, Jácomo Raimundo de Noronha. Na viagem e em seus preparativos, Teixeira investiu parte de seus bens, “generosamente distribuídos”, como diz Berredo.

 2.        A Expedição assumiu os molde de uma Grande Bandeira. Segundo Cristovão de Acunha, a Expedição era composta de 47 canoas de grande porte, 70 soldados  portugueses, 1.200 índios remeiros e de guerra. Levaram também um Escrivão da viagem.
          Com as mulheres e meninos de serviço seriam ao todo 2.500 pessoas. (Outros falam em 2.000).
          Partiram do Grão-Pará (Gurupá/Cametá) no dia 28 de outubro de 1637, chegaram a quito em outubro de 1638. Na volta, sai de Quito em 16.02.1639. Em 16.08.1639 funda Franciscana e estabelece aí o marco divisório das Terras de Espanha e as de Portugal.
          Chega ao Pará (Gurupá/Cametá) em 12 de dezembro de 1639.
          A viagem dura, ao todo, 21 meses. Em Quito, ficou retido 04 (quatro) meses. Depois disso foi-lhe dito que voltasse depressa ao Pará para defender o território brasileiro das invasões holandesas.

 3.        Se tinham pressa, porque, retiveram toda a Bandeira, inativa, por 4 (quatro) longos meses?! Efetivamente, Pedro Teixeira e seus homens passaram grandes perigos em Quito. Nos bastidores houve sérias confabulações entre o governo de Quito, o Vice-Rei do Peru e o Governo Espanhol em Madri.
         Para equilatar o perigo que ameaçou Pedro Teixeira e seus homens, precisamos lembrar o que se passava com os portugueses, em Lima, no Peru, terrivelmente torturados, esquartejados e queimados pela Inquisição, sem clemência, nem sentimentos humanos, pelo simples motivo de serem as famílias mais ricas da cidade, despertando a cobiça dos Espanhóis.
          Isto é narrado pelo escritor peruano José Toríbio de Medina, na sua obra clássica “História del Tribunal del Santo Ofício de La Inquisicion de Lima”. As atrocidades cometidas contra gente trabalhadora, cristã, católica e indefesa é algo inaudível...
          Neste caso, quem livrou a Bandeira de Pedro Teixeira de um trágico destino, foram os holandeses invasores que era preciso expulsar do Pará, para que não subissem também o Amazonas até o Peru. (Esta, infelizmente, não é uma reflexão hipotética...)

4.        Na volta de Pedro Teixeira, o Governador de Quito, mandou homens de sua confiança para “acompanhar” a viagem de volta até Belém e relatarem pormenorizadamente toda a viagem. Foram escolhidos dois padres jesuítas, Cristóbal de Acuña e André Artieda mais dois padres Mercedários. O P. Acuña relatou a viagem na obra: “NOVO DESCOBRIMENTO DO GRANDE RIO DAS AMAZONAS” que posteriormente encaminhou às autoridades espanholas, onde há indícios de censura de alguns elementos relatados por questão de sigilo.
          Na volta, no Rio Napo, abaixo da foz do Rio Aguarico, Pedro Teixeira fundou uma povoação chamada Franciscana e aí fincou um marco divisório para fixar a os limites dos territórios de Portugal e os de Espanha, uma cerimônia formal e oficial, com ata para registrar o fato para a posteridade.
          Ao chegar de volta a Belém, Pedro Teixeira foi recebido como herói.  

5.        Na sua viagem, do Pará a Quito, subindo o rio, a bandeira de Pedro Teixeira percorreu uma distância de, aproximadamente, 8.100 Km nos cálculos do séc. XVII.
          Sem as entradas de verificação, pela foz dos grandes rios e pelas aldeias de índios, a distância corresponde a, aproximadamente, 6.700 Km. Assim sendo, a viagem de ida e volta da Bandeira de Pedro Teixeira contando entradas em rios e trilhas, foi de aproximadamente, 13.400 Km, movimentando um contingente de mais de 2.000 pessoas. Contando Belém-Quito, percurso simples de ida e volta, pelas medidas atuais, a distancia  total, ida e volta é de aproximadamente 11.500 Km.

 6.          Raposo Tavares e Pedro Teixeira

A Bandeira de Pedro Teixeira  tem grande destaque na geopolítica nacional.
        A Bandeira de Pedro Teixeira (1637-1639) complementa a grande Bandeira dos Limites, de Raposo Tavares de 1647 a 1651.

 

IV
A BANDEIRA DOS CONFINS  E
A BANDEIRA DA CONQUISTA DO AMAZONAS

 

1.        A Bandeira de Pedro Teixeira, e a de Raposo Tavares acabaram no mesmo lugar: em Gurupá/Belém. A de Pedro Teixeira, em 1639, com quase dois anos de duração; a de Raposo Tavares em 1651, com aproximadamente 4 anos de duração.
         As Bandeiras de Pedro Teixeira e a de Raposo Tavares se complementam: Raposo Tavares saiu de São Paulo, pelo Oeste, subiu ao Peru (hoje Bolívia) e desceu pelos rios Mamoré, Madeira, Solimões e Amazonas até Gurupá e Belém. Demarcou os limites do Brasil a Oeste e ao Sul do Amazonas, com as terras de Espanha.
         A Bandeira de Pedro Teixeira pôs o marco limite no alto Amazonas.
        Outros bandeirantes terminaram essa obra gigantesca que fez do Brasil um país, efetivamente gigante, continental.
          A Bandeira de Raposo Tavares foi a maior e a mais árdua de quantas expedições de descobrimentos se realizaram em todas as Américas.
         A distância percorrida de Bandeira dos Limites foi de aproximadamente 12.500 Km, sem contar a volta de Belém para São Paulo. O cálculo é de Jaime Cortesão, no livro “Raposo Tavares e a Formação Territorial do Brasil, publicado pelo MEC, Brasil, em 1958. Esta é uma obra de leitura obrigatória para quem quer conhecer e entender este período basilar da História do Brasil.  

2.        O maior dos Bandeirantes do Brasil foi Raposo Tavares, por suas conquistas/reconquistas dos territórios do Sul e Oeste (Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso) e pela extraordinária Bandeira dos Confins e por seu apoio à luta e vitórias contra os holandeses no Nordeste e Norte do país.
         O segundo maior de nossos Bandeirantes é sem dúvida, Pedro Teixeira, por sua Conquista da Amazônia e por sua luta e vitórias contra os invasores estrangeiros na Amazônia.
          Não esqueçamos que temos  ainda algumas dezenas de grande Bandeirantes dignos de destaque nacional e internacional, tais como Fernão Dias Pais, o Anhanguera, etc, etc.

 3.        Estes homens nos mostram que o Brasil é obra de gigantes: de pessoas fortes, intrépidas e competentes, capazes de arriscar a própria vida pelo seu país.
         O Brasil, com suas dimensões continentais, foi construído com  muito ideal, muita determinação,  muito sangue e muitas vidas generosamente arriscadas pela glória e grandeza da nação. Foi construído com coragem, dedicação, grandeza de caráter e muito patriotismo, para conquistar mais bem-estar para todos.
         O processo de construção do Brasil trás no seu bojo excelentes lições de vida para as atuais e para as futuras gerações. Ensina-nos que o desenvolvimento do país não se faz apenas sonhando mas essencialmente pelejando, “arregaçando as mangas” e enfrentando a luta e os obstáculos do caminho, que nunca faltam, com mente esclarecida, competente e responsável. Este país é feito de trabalho, dignidade e carinho, nos grandes momentos e na prática cotidiana.